História

JOSÉ COELHO

Se ensinar era sua vocação, a arqueologia era sua paixão.

José Coelho viveu intensamente tudo o que encontrou, qualquer peça que lhe foi oferecida. Ele aproveitou todas as oportunidades para montar outra peça do quebra-cabeça com o qual construiu o discurso do passado.

Tinha apenas 15 anos quando iniciou esta viagem registando algumas sepulturas da era cristã em Travassós de Cima, a cerca de 5 km de Viseu. Após a licenciatura em Lisboa, fez a sua primeira grande descoberta em 1911: a anta Mamaltar de Vale de Fachas.

Ao longo de mais de 50 anos, fez muitas mais descobertas, algumas delas de enorme importância para o conhecimento da história regional e nacional, que poderá conhecer ao longo dos vários espaços desta casa.

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O professor

Um dos aspectos mais admiráveis de sua personalidade foi a atitude em relação ao modo de ensinar história, privilegiando a compreensão à memorização. Nesse sentido, levou os alunos aos sítios e monumentos, mostrando-lhes in loco os verdadeiros valores do passado, ensinando-lhes e incutindo-lhes o sentimento de defesa do património. Foi numa destas visitas que José Coelho fez, em 1925, uma das descobertas mais importantes da sua vida: os marcos miliários de Moselos, que pode visitar numa das divisões desta casa.

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O homem

Nascido em Travassos de Cima, a 7 km de Viseu, a 5 de maio de 1887, José Coelho teve um percurso de vida pautado por três eixos essenciais: investigar o passado, proteger o património e ensinar.

Após a licenciatura em 1912, em Ciências Históricas e Geográficas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, regressou a Viseu, onde foi nomeado professor do liceu. A dedicação ao ensino, a forma de ensinar e a proximidade com os alunos fizeram com que fosse nomeado Reitor em 1919.

Ele passou grande parte de sua vida investigando o passado, pesquisando e estudando vestígios arqueológicos, lendo documentos antigos, em uma busca insaciável pela verdade histórica.

José Coelho integrou também o primeiro conselho municipal eleito após a Proclamação da República em 1914, tendo tido uma participação activa na defesa do património histórico e arqueológico.

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Os Cadernos Arqueológicos

Entre 1916 e 1968, José Coelho registou, em 153 cadernos, milhares e milhares de notas sobre as suas pesquisas, os seus estudos, as atas das cartas que escreveu, com quem conversou, que transmitiram informações sobre descobertas e até aspectos do seu quotidiano e vida familiar.

Estes cadernos foram a base dos seus textos científicos, que publicou ao longo da sua vida, e são uma janela aberta para a vida e obra de José Coelho.

Procure nas paredes desta casa alguns destes cadernos, que partilhamos consigo, e deixe-se levar pelas letras miúdas, os belos desenhos, os estudos …